ESTADO DE MINAS • domingo, 6 de maio de 2012 •
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DONOS DO PEDAÇO
DIMANG KONG BEU
Fotógrafo
PAIXAO PELA
FOTOGRAFIA
Reportagem por Luciane Evans
Foto de PEDRO GRAEFF/ODETE M0RAIS/DIV1AGAÇÃ0
Ia para a escola e fazia fotos dos colegas. Tenho até hoje esses negativos.
Foi quando me interessei em saber como funcionava mesmo a câmera”
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Congelar não só a ação, mas a emoção daquele exato momento. Conseguir em um só clique transmitir, a outros olhares, sentimentos. Só quem é mesmo um apaixonado pela fotografia sabe bem o que essas palavras significam ao pé da letra. Dimang Kong Beu, de 50 anos, é um deles. Com 35 anos de profissão, Dimang, fotógrafo por paixão, já disparou suas lentes para várias áreas, que vão desde o fotojornalismo a books infantis. Com experiência no Brasil e também em outros países, ele é o tipo do fotógrafo que não vê a profissão somente como uma forma de ganhar dinheiro. Mas, sim, à moda antiga, como se fosse
iniciante na carreira. Ele ainda vibra e torce pelo trabalho, como se estivesse só aprendendo. Natural de São Paulo, Dimang é de família chinesa, mais especificamente de Hong Kong. Fala fluentemente inglês,francês e chinês, e, ainda, arranha no espanhol. Em São Paulo, trabalhou em grandes veículos de comunicação. Desde 2003 está em Minas Gerais, onde passou por jornais e revistas.
Há seis anos, decidiu abrir seu tesouro e passar tudo o que sabe por meio de aulas particulares de fotografia. O sucesso foi tão grande que ele expandiu seus conhecimentos para quem também tem a mesma paixão. Com alunos no Japão, África do Sul, Austrália e até na Rússia, o fotógrafo tem ensinado sua arte por meio da internet. De dentro de seu quarto, equipado com webcam e rodeado de livros referentes às técnicas fotográficas,
Dimang dá aulas a pessoas do Brasil e do mundo inteiro, tornando-se, assim, um dos primeiros a fazer esse tipo de trabalho na área. Em entrevista ao Admite-se, ele conta que não há dificuldades em aprender a fotografar por meio da internet. Ao todo, entre os cursos presenciais e on-line, já passaram pela mão do fotógrafo nada menos do que 200 estudantes. Dimang também está escrevendo um livro de crônicas de fotojornalismo e está em processo de criação de uma agência de fotografia de esportes, visando à Copa das Confederações, às Olimpíadas e à Copa do Mundo no Brasil.
Quando você resolveu se dedicar à fotografia?
Desde os 10 anos sabia que queria ser fotógrafo. Em 1970, minha irmã trouxe uma Kodak Instamatic da Disney. Fiquei fascinado. Era uma máquina de filme, que me deixou hipnotizado. Ia para a escola e fazia fotos dos colegas. Tenho até hoje esses negativos. Foi quando me interessei em saber como funcionava mesmo a câmera. Durante toda a minha adolescência, enquanto os amigos iam passear, ficava trancado em bibliotecas lendo livros sobre fotografia. Até que li todo o acervo em língua portuguesa, restando-me aprender inglês. Por isso, meu pai me colocou na Escola Americana, em São Paulo, onde estudei por três anos. Nessa época, assisti a uma palestra de Lew Parrellla, um fotógrafo norte-americano famoso. Fiquei encantado e ele se tornou um ídolo.
Como aprendeu a fotografar?
De tanto insistir, o fotógrafo Lew Parrella me deu a oportunidade de ser seu assistente e aprendi bastante. Depois, passei a ir às redações das revistas e jornais para aprender a metodologia de arquivamento dos cromos e negativos. Aos 17 anos, já tinha uma máquina profissional em mãos. Resolvi estudar fotografia no Canadá, em 1982. Fui para os EUA, estudei na Califórnia e fui para Hong Kong, onde fiquei cinco meses fotografando. Quando voltei, trabalhei em todas as áreas da fotografia, enquanto atuava como gerente hoteleiro, ramo no qual fiquei por oito anos. Mas resolvi ser fotógrafo em tempo integral. Então, trabalhei em jornais de bairro e depois nos grandes veículos de São Paulo. Cheguei a Minas em 2003 e passei por vários locais e áreas. Fui para o fotojorna-lismo por achar que o setor era uma grande escola.
Em qual momento de sua profissão decidiu parar de aprender para ensinar?
Nunca deixo de aprender. Ensinar é uma forma de não estar parado. Nem mesmo deixei de fotografar.
Ensinar é uma forma de não estar parado. Nem deixei de fotografar depois que tive a retinose pigmentar, seguida de uma catarata precoce. Ainda sou fotógrafo, mas queria passar o que sei para um número grande de pessoas. Então, passei a dar aulas. O curso presencial ocorre em BH, São Paulo e no Rio de Janeiro e, para melhor aproveitamento dos alunos, as aulas são no máximo para 15 pessoas. Já para o curso on-line as aulas são individuais, feitas por meio de webcam.
Como é ensinar uma arte tão prática por meio virtual?
O curso on-line ocorre desde 2006. Tenho alunos de várias partes do Brasil e também do mundo. Uso Skype e MSN. Há uma apostila em power point e o aluno precisa estar com sua câmara em
mãos. Ele pode fazer a aula de onde estiver. Há o módulo básico, no qual ensino a manusear o equipamento, e vamos trocando experiências. A duração do básico para amadores, por exemplo, é de 14 a 16 horas, que pode ser feito em uma semana, com aulas de duas horas todos os dias. O horário é ele quem escolhe.
Qual é a vantagem de um curso on-line?
É mais flexível. Os dois grandes diferenciais são que, depois do curso, as consultorias para dúvidas e outras questões são de graça. A outra grande diferença é que nas minhas aulas dou dicas e macetes da fotografia que aprendi durante todos esses anos de profissão.
Como está o mercado fotográfico hoje?
O grande segredo é gostar da fotografia. O campo é um leque de opções fantásticas e não se resume a fotos de casamento. O mercado é bom para quem gosta do que faz. A melhor câmera é aquela que é a melhor para você, para o seu objetivo e perfil. O que te faz você ser bom é gostar do que faz.
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